segunda-feira, 11 de maio de 2009

ENSINAR LITERATURA


Em tempos de crise e de epidemias, recomeço a pensar e repensar, para não perder a prática do bom refletir, sobre o papel de um professor de Literatura. Não sei, por vezes, bem raras mas incomodativas, creio que a disciplina se torna um tanto suspensa, inefável, pairando sobre nossas cabeças como nuvens errantes. E, então, vem a sensação do nada. Grandes autores do mundo inteiro dedicaram suas vidas a escrita de um livro. Camões, dizem, passou quinze anos compondo o seu Os lusíadas. Muitos acabaram por selar a literatura universal com seu nome e criar o tão polêmico Cânone. Meu papel de professor de Literatura é levar ao alunos o conhecimento dessas grandes obras, o processo de produção, os elementos estruturais e semânticos que a sustentam, a estética que lhe faz ser um grande livro. Nada mais desolador do que a pergunta que nos emudece: para quê serve a literatura? Por que eu preciso saber metrifcar? Se o objetivo for formar alunos para depois eles ensinarem as mesmas coisas para os seus alunos, puff! criamos um círculo vicioso e feio, a roda do nada, o processo metalinguístico do ensino. Para quê serve a literatura é inexplicável de uma única vez, para mim essa resposta vem aos poucos pela minha extrema necessidade de querer ver nela a praticidade do meu cérebro, como se fosse uma aula de aplicação de injeção que, depois de algum tempo, já começa dar seus resultados e, além disso, salva e cuida de vidas. O erro é procurar esta , digamos, "pragmaticidade" na literatura. Já começo, aos poucos, a encarar a Literatura como uma Ciência, talvez um ramo da ciência maior que é o estudo da Língua. Não existe apenas deleite, com pensam alguns, no ensino da Literatura, pelo contrário, muitas vezes é necessário se afastar do texto para compreendê-lo, caso contrário ficaremos em sala repetindo nosso sentimentalismo latino, à La Faustão: "esse poema é lindo", "esse autor é maravilhoso", "eu amo Fulano de tal", "esse escritor é melhor do mundo". Ainda existe muita resistência em relação à teoria, prevalece a ciência do achismo sentimental, influência triste de uma espécie de preguiça erudita que, por vezes, toma conta de uma universidade e, no caso, não dá ao ensino de Litertura a seriedade necessária. Procurar praticidade neste ramo é sandice. Ensinar é formar opinião, é por em xeque o Gosto, é conhecer e rediscutir esse fenômeno da língua.


daqui mesmo.



Carlos Dias

quarta-feira, 29 de abril de 2009

A gripe suína...cuxi !




Ligo a TV, gripe suína, desligo a TV, gripe suína. Que porcaria. Mais uma pequena mostra do grande poder da mídia em causar pânico. Coitadinhos dos mexicanos, ninguém mais quer saber do México. Soube de um cara que nem liga a televisão com medo que esteja passando o programa do Chaves, afinal de contas ele é mexicano. Confesso que fiquei preocupado com o estado de saúde da cantora, apresentadora e única atriz mexicana Thalia. A partes à parte, o caso parece sério. O governo brasileiro está pensando em pensar em fazer alguma coisa, pelo menos o tal rémedio está estocado: quem serão os primeiros? Quero um documento me dando garantias de que terei meu comprimido sabor morango. Para a mídia, sobretudo a rede Globo, a gripe já chegou ao Brasil...eu hein, vivo pegando no meu pescoço procurando uma febre...e qualquer espirro é motivo pra pensar em comprar uma daquelas máscaras fashions. Não vai demorar muito para ter no camelô, com desenhos da Pucca, Naruto, Ben 10 e, quem sabe, os personalisados com nome e time do coração. "Olha a máscara do Leão", "olha a máscara do papão"....e o do Palmeiras: "Olha a máscara do porcão", ficaria firme. No mais, mais alguma coisa, de qualquer forma é sempre bom evitar multidões...na verdade é sempre bom evitar multidões e algumas pessoas em particular, os eternos gripes suínas. Desejo a todos uma boa gripe, que Deus nos salve e nos livre do chiqueiro, que de chique não tem nada. Atchim!!!!!!!!!!

Direto daqui mesmo

Carlos Dias

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Aberta a temporada...

Quem quiser participar da Revista Literante deve mandar seu texto (poemas, dicas de livros, crônica, contos etc.) para o endereço diasantenome@hotmail.com, e aguardar seleção. A edição é para o mês de Fevereiro.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Revista Literante: tiragem limitadíssima

Finalmente sai a nova edição da revista "Literante: suplemento literário"! O ponto de exclamação é pura pretensão, não...nada de exclamações. Qum se empolgou? Ninguém, só eu. Fracasso de vendas, mesmo custando apenas R$ 1,00, menos que banana. Mas é assim mesmo, conformo-me com a desilusão passageira. O que me alegra é que os alunos vão poder divulgar, daqui a alguns meses suas idéias, seus textos, sem custo nenhum, já que o objetivo principal do jornaleco é estimular o exercício acadêmico. Pois então, cada qual com seu cada qual. Tá no inferno abraça o capeta. Vamos ver o que será de dezembro...será que alguém vai guardar um realzinho sequer para comprar a revista? MANDEM SEUS TEXTOS, SEJAM SERES PARTICIPANTES DAS SUAS PRÓPRIAS HISTÓRIAS...muito profundo isso! Grande Abraço parentes.
Carlos Dias

quinta-feira, 17 de julho de 2008

back to the...

As férias estão aí, sol, praia, mar, assaduras...aventuras etc. O blog Literante tem o prazer de anunciar que a Revista de Literatura Literante (versão física, em papel) já está preparando o seu primeiro número em Bragança. No entanto, ainda conto comigo mesmo. Desde então peço ajuda aos alunos que estiverem interessados em colaborar com textos, participar do processo editorial, que se aproximem, me mandem e-mail. Vamos movimentar o nosso campus. Depois das férias!


Carlos Dias: diasantenome@hotmail.com

quinta-feira, 15 de maio de 2008

noite-apenas


“Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo”...sol amarelo uma ova! Animei-me a pintar um quadro. Giz de cera sobre papel sem pauta, minha única técnica. Escolhi dentre todos os bastões o mais negro, para pintar o céu, um céu sem lua, para que todos pudessem olhar e dizer que no meu desenho era somente uma noite, e não uma noite sem lua. Onde está a lua? Por que o céu está escuro? Ora, na me venham com tais indagações! Era noite o que eu queria, uma noite pura, sem estrelas, nuvens e mesmo, sem lua...posso pintar um céu assim! Embaixo desta minha noite, prédios cinzas, numa luta incessante pelo infinito: “eu sou o mais alto”. Prédios-prédios e suas parcas luzes do fundo, do próprio papel (assim poderia ser a lua se a minha noite fosse como a do livro colorido que me davam na escola). Nos prédios, minúsculos apartamentos de janelas peliculadas, e no batente, um vaso marrom-escuro com terra roxa, onde repousa serenamente um caule seco do que um dia fora uma roseira, mas agora é só um vaso esquecido ali, por algum funcionário negligente, que dispensa seu tempo triste aos programas de tv. Não queria flores na minha pálida criação, essas não são as cores que eu me dei. Um M aberto passa riscando de negro as cores cinzas dos arranha-céus, ele nunca pousa, pois some e se mistura com os riscos que cobrem o branco, para que observem que é noite-apenas. As lojas não vendem folhas pretas, se vendem, elas são mais caras, uma espécie bem especial. Apenas folhas brancas vendem, mas na escola disseram que alguém disse que antes de tudo existir só existia escuridão, trevas, e as papelarias vendem até folhas cor-de-rosa, mas não há uma caneta branca para pintar no negro, manchá-lo. O bastão negro vai gastando para transformar o papel branco em negro, sai de um mero lápis para uma noite-apenas, que existia antes de tudo e que ninguém sabe explicar. As roupas brancas não são manchadas, é impossível, o negro é a ausência de cor, “faça-se a luz”, a primeira manchada do mundo, agora ando comprando giz de cera para desmanchar a minha noite-apenas.


Carlos Dias

quarta-feira, 2 de abril de 2008


Para além da lei, o puro deleite. Mais do que histórias contadas para todos os públicos. O desejo não dorme na madrugada, quando quer, acorda louco, sedento, à um palmo e meio da realização. são olhos que buscam uma única imagem, no fim encontra friezas e maquiagens, faces de fantasmas...perambulância do eterno. Busque a dormência quando arde a alma, então um céu cheio de estrelas pontiagudas te penetrarão as belas e limitadas retinas. O sopro quente de um dragão vencido, as lamúrias de escamas há séculos repetidas. Não sou o cavaleiro da madrugada, não tenho sono, escrevo, então. O prazer da tinta escorrendo dos meus olhos, a fascinante idéia de ser outro. de me ser, profundamente, eu mesmo. Assim se conhece o que não se é, o que se pode vir a ser, o que nunca, nem por sonhos perdidos, se poderá vir a ser.



Carlos Dias