quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Revista Literante: tiragem limitadíssima

Finalmente sai a nova edição da revista "Literante: suplemento literário"! O ponto de exclamação é pura pretensão, não...nada de exclamações. Qum se empolgou? Ninguém, só eu. Fracasso de vendas, mesmo custando apenas R$ 1,00, menos que banana. Mas é assim mesmo, conformo-me com a desilusão passageira. O que me alegra é que os alunos vão poder divulgar, daqui a alguns meses suas idéias, seus textos, sem custo nenhum, já que o objetivo principal do jornaleco é estimular o exercício acadêmico. Pois então, cada qual com seu cada qual. Tá no inferno abraça o capeta. Vamos ver o que será de dezembro...será que alguém vai guardar um realzinho sequer para comprar a revista? MANDEM SEUS TEXTOS, SEJAM SERES PARTICIPANTES DAS SUAS PRÓPRIAS HISTÓRIAS...muito profundo isso! Grande Abraço parentes.
Carlos Dias

quinta-feira, 17 de julho de 2008

back to the...

As férias estão aí, sol, praia, mar, assaduras...aventuras etc. O blog Literante tem o prazer de anunciar que a Revista de Literatura Literante (versão física, em papel) já está preparando o seu primeiro número em Bragança. No entanto, ainda conto comigo mesmo. Desde então peço ajuda aos alunos que estiverem interessados em colaborar com textos, participar do processo editorial, que se aproximem, me mandem e-mail. Vamos movimentar o nosso campus. Depois das férias!


Carlos Dias: diasantenome@hotmail.com

quinta-feira, 15 de maio de 2008

noite-apenas


“Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo”...sol amarelo uma ova! Animei-me a pintar um quadro. Giz de cera sobre papel sem pauta, minha única técnica. Escolhi dentre todos os bastões o mais negro, para pintar o céu, um céu sem lua, para que todos pudessem olhar e dizer que no meu desenho era somente uma noite, e não uma noite sem lua. Onde está a lua? Por que o céu está escuro? Ora, na me venham com tais indagações! Era noite o que eu queria, uma noite pura, sem estrelas, nuvens e mesmo, sem lua...posso pintar um céu assim! Embaixo desta minha noite, prédios cinzas, numa luta incessante pelo infinito: “eu sou o mais alto”. Prédios-prédios e suas parcas luzes do fundo, do próprio papel (assim poderia ser a lua se a minha noite fosse como a do livro colorido que me davam na escola). Nos prédios, minúsculos apartamentos de janelas peliculadas, e no batente, um vaso marrom-escuro com terra roxa, onde repousa serenamente um caule seco do que um dia fora uma roseira, mas agora é só um vaso esquecido ali, por algum funcionário negligente, que dispensa seu tempo triste aos programas de tv. Não queria flores na minha pálida criação, essas não são as cores que eu me dei. Um M aberto passa riscando de negro as cores cinzas dos arranha-céus, ele nunca pousa, pois some e se mistura com os riscos que cobrem o branco, para que observem que é noite-apenas. As lojas não vendem folhas pretas, se vendem, elas são mais caras, uma espécie bem especial. Apenas folhas brancas vendem, mas na escola disseram que alguém disse que antes de tudo existir só existia escuridão, trevas, e as papelarias vendem até folhas cor-de-rosa, mas não há uma caneta branca para pintar no negro, manchá-lo. O bastão negro vai gastando para transformar o papel branco em negro, sai de um mero lápis para uma noite-apenas, que existia antes de tudo e que ninguém sabe explicar. As roupas brancas não são manchadas, é impossível, o negro é a ausência de cor, “faça-se a luz”, a primeira manchada do mundo, agora ando comprando giz de cera para desmanchar a minha noite-apenas.


Carlos Dias

quarta-feira, 2 de abril de 2008


Para além da lei, o puro deleite. Mais do que histórias contadas para todos os públicos. O desejo não dorme na madrugada, quando quer, acorda louco, sedento, à um palmo e meio da realização. são olhos que buscam uma única imagem, no fim encontra friezas e maquiagens, faces de fantasmas...perambulância do eterno. Busque a dormência quando arde a alma, então um céu cheio de estrelas pontiagudas te penetrarão as belas e limitadas retinas. O sopro quente de um dragão vencido, as lamúrias de escamas há séculos repetidas. Não sou o cavaleiro da madrugada, não tenho sono, escrevo, então. O prazer da tinta escorrendo dos meus olhos, a fascinante idéia de ser outro. de me ser, profundamente, eu mesmo. Assim se conhece o que não se é, o que se pode vir a ser, o que nunca, nem por sonhos perdidos, se poderá vir a ser.



Carlos Dias

quarta-feira, 26 de março de 2008

Shakespeare e a invenção dramática


O CFFC promove nos dias 5 e 6 de abril e 31 de maio e 1º de junho, o seminário "Shakespeare e a invenção dramática", tendo como palestrante o escritor, filósofo e crítico Benedito Nunes. A entrada é franca, sempre das 8:30h as 12:30H. Para quem não sabe, o Centro de Cultura e Formação Cristã fica na Br 316, km 6, em frente ao 6º batalhão de polícia. Na dúvida, pergunta para o cobrador.

terça-feira, 18 de março de 2008

MORRE MAIS UMA REVISTA


O mercado editorial brasileiro é cruel. Não adianta chorar, mas acho que vou chorar um pouquinho. Lembro que quando era aluno da graduação em letras, fiz uma forcinha e consegui a assinatura da revista CULT. Era uma revista ótima para aqueles da área literária. Trazia bons textos, dossiês de escritores, dicas de obras, análises de medalhões como Antonio Candido. Mas, depois de um tempo, para que a bancarrota não batesse à porta da revista, ela deixou de ser Revista de literatura para se transformar em "revista de cultura brasileira". Nada contra, mas foi um passo para a revista abandonar de vez a literatura e falar muito mais de teatro, dança e cinema, ou seja, algo que a revista BRAVO! já faz muito bem. Os interessados em literatura abandonaram a tal revista. Até que surgiu a ENTRELIVROS (editora Duetto), com um ar de CULT, da época das antigas, com textos de Silviano Santiago, crônicas de Miltom Hatum, Umberto Eco, discussão, dossiê etc. Mas a última notícia é que, depois de quase três anos a revista chegou ao fim, no número 32. Segundo a própria editora, Entrelivros chegou ao fim por causa da falta de anunciantes e as mudanças no mercado de revistas. Ora, ora, bem previsível para uma revista que atinge um público específico...enfrentar os gigantes como Istoé, Veja, Caras, Palyboy, Época etc., não é nada fácil. Só lamentações, nada a declarar. No entanto as edições especiais "Biblioteca entrelivros" e "Cadernos entrelivros" ainda continuarão a circular, só não se sabe até quando. Agora só nos restou a revista "Discutindo Literatura" que no meu ponto de vista é fraca e tem textos pouco interessantes. Mas...

quinta-feira, 13 de março de 2008


ROCKVILLE


pratico o suicídio
todos os dias
- eles são sempre iguais –
acid house nos olhos
circunstâncias inexistentes:
tirar um sarro com o tempo
aprisionar um flash...

pratico o suicídio
a tinta frágil desaba do vidro,
estilhaços perdidos nas frestas
onde minha unha desgasta,
arranha sem sucesso
o que poderei ter sido...

pratico o suicídio,
para onde mais deveria andar?
são lascas que açoitam
o terrível weekend,
tenho uma metrópole nas mãos.

suicídio,
tudo que não descriei
pelo apelo do que não vi
urbanocídio esferográfico!

pratico o suicídio
e quando os olhos buscam
a luz do quinto pavimento já passou

pratico o suicídio
a gravidade incide sobre a matéria

a cena se entrega à imolação da tinta...


Carlos Dias